O pentecostalismo é o segmento religioso que mais cresce no Brasil há mais de um século. De duas pequenas comunidades fundadas em 1910-1911, o movimento se expandiu para dezenas de milhões de fiéis e milhares de denominações, transformando profundamente a paisagem religiosa, cultural e política do país.
Primeira onda: pentecostalismo clássico (1910-1950)
Congregação Cristã no Brasil (1910)
Luigi Francescon, italiano convertido em Chicago, fundou a primeira igreja pentecostal brasileira em Santo Antônio da Platina (PR), entre imigrantes italianos. A CCB mantém até hoje características singulares: não usa mídia, não cobra dízimos, não tem pastores assalariados e prioriza a ação do Espírito Santo nos cultos.
Assembleias de Deus (1911)
Daniel Berg e Gunnar Vingren, suecos vindos dos EUA, chegaram a Belém do Pará e fundaram a Missão de Fé Apostólica, que se tornaria a Assembleia de Deus. A partir do Norte, o movimento se espalhou pelo Nordeste e depois pelo resto do país, tornando-se a maior denominação evangélica do Brasil, com mais de 12 milhões de membros hoje.
Segunda onda: pentecostalismo de cura divina (1950-1970)
Igreja do Evangelho Quadrangular (1951)
Harold Williams, missionário americano da International Church of the Foursquare Gospel, trouxe o movimento para o Brasil. A IEQ se diferenciou pela ênfase na cura divina, pelo uso de tendas de evangelismo e pelo protagonismo feminino — herança direta de Aimee Semple McPherson, fundadora do movimento nos EUA.
A história detalhada da IEQ no Brasil mostra como a denominação cresceu de uma tenda em São João da Boa Vista (SP) para mais de 17 mil templos e 8,8 milhões de membros.
Outras denominações da segunda onda
- Brasil para Cristo (1955) — Manoel de Melo, ex-Quadrangular, fundou uma das primeiras megaigrejas do Brasil
- Deus é Amor (1962) — David Miranda criou uma das denominações mais rígidas em costumes, com forte presença no rádio
- Casa da Bênção (1964) — Doriel de Oliveira, também ligada à ênfase em cura e milagres
Terceira onda: neopentecostalismo (1970-hoje)
Igreja Universal do Reino de Deus (1977)
Edir Macedo fundou a IURD no Rio de Janeiro, inaugurando o neopentecostalismo brasileiro. Características: teologia da prosperidade, guerra espiritual, uso intensivo de mídia (TV Record), oferta como semente de fé, liturgia centrada no líder.
Outras denominações neopentecostais
- Internacional da Graça (1980) — R. R. Soares, com forte presença televisiva
- Renascer em Cristo (1986) — Estevam e Sônia Hernandes, voltada ao público jovem e urbano
- Mundial do Poder de Deus (1998) — Valdemiro Santiago, ex-IURD
O que diferencia as três ondas
| Aspecto | 1ª onda (clássica) | 2ª onda (cura) | 3ª onda (neo) |
|---|---|---|---|
| Período | 1910-1950 | 1950-1970 | 1970-hoje |
| Ênfase | Batismo no Espírito, santidade | Cura divina, evangelismo | Prosperidade, guerra espiritual |
| Costumes | Rígidos | Moderados | Flexíveis |
| Exemplos | AD, CCB | IEQ, Deus é Amor | IURD, IMPD |
O pentecostalismo e a formação teológica
Uma das marcas do pentecostalismo maduro é o investimento em educação teológica. As Assembleias de Deus criaram a CPAD e dezenas de seminários. A Quadrangular mantém o ITQ e a Faculdade McPherson. A formação teológica é cada vez mais valorizada como caminho para um ministério sólido e bíblico.
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